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Por 11:19 Notícias

Bolsonaro trabalha menos do que um estagiário, aponta estudo

Ao contrário da maioria dos trabalhadores e trabalhadoras do país que enfrentam jornadas de até 13 horas por dia no caso de entregadores de aplicativos, entre janeiro de 2019, quando assumiu o governo, e fevereiro de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalhou, na média geral, 4,8 horas por dia. Mas, nos últimos tempos, ele conseguiu reduzir ainda mais a média de sua carga de trabalho. Passou de 5,6 horas em 2019 para só 3,6 horas este ano.

A revelação consta do estudo  “Deixa o Homem Trabalhar?”, que levou em consideração a agenda oficial do presidente, feito pelo cientista político Dalson Figueiredo (UFPE/Oxford) em parceria com os cientistas sociais Lucas Silva (Uncisal) e Juliano Domingues (Unicap).

Da Inglaterra, onde faz pós-doutorado pela Universidade Oxford, Figueiredo disse que o objetivo dos pesquisadores não foi apontar se Bolsonaro trabalha pouco ou muito, e prestar esclarecimentos acerca dos compromissos oficiais do presidente, segundo entrevista foi concedida à Veja. 

“A nossa grande motivação é tornar esse dado público, não criticar o presidente, falando que ele trabalha mais ou menos. Criamos uma equipe multidisciplinar e levantamos os dados. A motivação é metodológica”, disse Figueiredo à revista.

Às terças-feiras (5 horas de trabalho) e as quintas-feiras (5,3 horas de trabalho) foram os dias em que Bolsonaro trabalhou mais. Na sexta-feira, a média de trabalho foi de 4,3 horas.

De acordo com o documento, todos os registros com carga horária superior a cinco horas por dia tratam-se, na verdade, de períodos em que Bolsonaro estava em trânsito. Em 2019, por exemplo, há registros de dias em que ele trabalhou 12 horas. Mesma coisa em 2020, quando a carga horária máxima foi de 12,5. 

Trabalhador brasileiro tem carga de 8 horas ou mais por dia

A Consolidação da Leis do Trabalho (CLT) determina que a jornada do trabalhador ou trabalhadora está limitado a oito horas diárias ou 44 horas semanais. O empregador pode determinar ao trabalhador que compareça à empresa seis dias por semana: cinco dias por 8 horas mais um dia por 4 horas.

Mas, como milhões de trabalhadores brasileiros são informais, as jornadas diárias passam e muito de dez horas para tentar garantir o sustento das famílias.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados em março deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de informalidade da população ocupada (95,2 milhões de pessoas) foi de 40,2%. Isso significa que 38,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras atuam como informais, sem direito ao descanso semanal remunerado, férias, 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou previdência social, muito menos uma jornada digna.

Pesquisa da CUT e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que a jornada dos entregadores por aplicativos, por exemplo, é em média de 65 horas por semana. Isso representa, se eles trabalhassem cinco dias da semana, uma jornada diária de 13 horas. A categoria não tem nenhum dos 10 direitos garantidos na CLT.

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