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Por 09:46 Opinião de trabalhador, Recentes

Preço do diesel aumenta a carestia e a fome

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) segue com suas ameaças antidemocráticas, encena conflitos com o STF (Supremo Tribunal Federal) e mantém uma política econômica ultraliberal que favorece apenas os poderosos, a vida de milhões de brasileiros fica cada vez pior. Em abril de 2022, o país registrou a maior inflação para o período em 27 anos. O índice acumulado está próximo dos 13%.

A carestia está se tornando insustentável para uma enorme parcela de brasileiros e brasileiras que tentam sobreviver com um salário mínimo ou menos. Os dados estatísticos apontam que mais de 43 milhões de pessoas não contam com alimentos em quantidade suficiente. No entanto, é ainda pior para mais de 20 milhões de pessoas que voltaram a conviver com a fome absoluta.

Os economistas afirmam que a carestia nos preços dos alimentos é puxada pelos absurdos aumentos nos preços dos combustíveis. O óleo diesel tem um peso ainda maior do que a gasolina, porque todo o processo produtivo, desde o funcionamento das máquinas agrícolas até sistema de logística dependem do produto. Tudo o que se consome de bens ou serviços tem o diesel como insumo em alguma magnitude. Com o aumento de 8,8% no dia 10/05/22, somente neste ano o preço do diesel subiu 47%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 52,53%, segundo o IBGE.

O aumento nos preços dos combustíveis da Petrobras está vinculado ao sistema internacional, ou seja, a variação do dólar e do barril de petróleo tem influência direta no cálculo. Isto porque em 2016 o governo Temer implantou o Preço de Paridade Internacional (PPI) é uma política que só beneficia os acionistas da Petrobras. Bolsonaro, se quiser, pode mudar essa política, mas ele não demonstra interesse. Prefere jogar a culpa nos impostos arrecadados por estados e municípios, que não tem influência alguma sobre o custo do produto.

Redução do frete não resolve

Com medo de uma reação dos caminhoneiros desgostosos com o preço do óleo diesel, Jair Bolsonaro editou uma Medida Provisória reajustando os preços dos fretes. A intenção é só uma: acalmar os ânimos da categoria. Em 2015, quando os caminhoneiros realizaram uma paralisação nacional que tinha como mentores e patrocinadores grandes empresas de transporte e políticos que defendiam o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, o litro do óleo diesel custava, em média, R$ 2,90. Hoje, com o produto custando mais de R$ 5,00 em algumas regiões, o governo recorre ao reajuste do frete para agradar os caminhoneiros. Porém, economistas avaliam que Bolsonaro está tapando sol com peneira, pois esse aumento tende a ser repassado para os produtos, aumentando ainda mais a carestia.

* Joel Guedes é jornalista e editor do jornal Pactu

Fonte: Pactu

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